Classes de incêndio e extintores: guia completo para escolher o agente certo

Conheça as classes de incêndio A, B, C, D e K, o extintor correto para cada uma e o que muda com o crescimento dos incêndios em baterias de lítio.

9/16/20266 min read

red and black ceramic mugs on black steel rack
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Introdução

Usar o extintor errado em um incêndio pode não apagar as chamas — e em alguns casos, pode até agravá-las. Jogar água em um incêndio elétrico energizado, por exemplo, cria risco de choque para quem está combatendo o fogo. Por isso, conhecer as classes de incêndio e o agente extintor correto para cada uma é um conhecimento básico e obrigatório para qualquer brigadista, bombeiro civil ou responsável por segurança predial.

Este guia explica as classes reconhecidas oficialmente no Brasil, o extintor indicado para cada uma e um tema que vem ganhando urgência: o incêndio em baterias de íon-lítio, cada vez mais comuns em veículos elétricos, patinetes e sistemas de energia.

O que são as classes de incêndio

No Brasil, a classificação de incêndios segue a norma ABNT NBR 12693:2021 (Sistemas de proteção por extintores de incêndio), que reconhece oficialmente cinco classes: A, B e C — consideradas as classes básicas — e D e K, classes especiais. A norma internacional ISO 3941 é a referência global para essa mesma classificação.

Desenvolvimento

Classe A — Materiais sólidos comuns

Envolve materiais sólidos combustíveis como madeira, papel, tecido e borracha, que queimam formando brasas. O extintor de água pressurizada é o indicado para essa classe, por resfriar o material e interromper a combustão.

Classe B — Líquidos e gases inflamáveis

Envolve líquidos inflamáveis como gasolina, álcool, óleos e tintas, e também gases inflamáveis. O extintor de pó químico seco (PQS) é indicado, assim como o de CO₂ em ambientes fechados ou com equipamentos sensíveis.

Classe C — Equipamentos elétricos energizados

Envolve motores, quadros de energia e equipamentos elétricos energizados. O extintor de CO₂ é o mais indicado, por não deixar resíduo e não conduzir eletricidade — é fundamental nunca usar água nesse tipo de incêndio enquanto o equipamento estiver energizado, pelo risco de choque elétrico.

Classe D — Metais combustíveis

Envolve metais como magnésio, titânio, sódio e potássio, que reagem de forma perigosa com água e com agentes extintores comuns. Exige extintores com pós especiais desenvolvidos especificamente para metais combustíveis.

Classe K — Óleos e gorduras de cozinha

Envolve óleos e gorduras vegetais e animais utilizados em frituras, comuns em cozinhas industriais. O agente indicado é um extintor específico à base de acetato de potássio, que reage com a gordura quente formando uma camada de sabão que sufoca as chamas.

A questão das baterias de íon-lítio: existe mesmo uma "Classe L"?

Com a popularização de veículos elétricos, patinetes, bicicletas elétricas e sistemas de armazenamento de energia, incêndios envolvendo baterias de íon-lítio se tornaram mais frequentes — e são tecnicamente diferentes de qualquer classe tradicional. Esse tipo de incêndio tem características próprias: temperaturas muito altas, risco de reignição (a chamada fuga térmica, ou thermal runaway, em que uma célula superaquecida desencadeia reação em cadeia nas células vizinhas) e o fato de que a bateria libera seu próprio oxigênio durante a reação, dispensando o oxigênio do ambiente para continuar queimando.

A norma internacional ISO 3941 já reconhece a nomenclatura "Classe L" para esse tipo de incêndio, mas é importante fazer uma distinção técnica: até o momento, não existe uma norma ABNT ou certificação Inmetro específica e exclusiva para extintores de bateria de lítio no Brasil. Esses equipamentos já existem no mercado nacional como medida complementar de segurança, com agentes encapsulantes que ajudam a resfriar e conter a propagação térmica, mas seu uso deve respeitar o projeto de incêndio aprovado e as Instruções Técnicas do Corpo de Bombeiros de cada estado — não uma norma nacional consolidada como a NBR 12693 para as classes tradicionais.

Extintores tradicionais de água, pó químico e CO₂ podem ser ineficazes ou até perigosos em incêndios de bateria de lítio: a água pode reagir com componentes internos da bateria, o pó químico não resfria o suficiente para impedir a reignição, e o CO₂ não neutraliza o processo químico interno que alimenta o fogo.

Legislação e normas aplicáveis

  • ABNT NBR 12693:2021 — Sistemas de proteção por extintores de incêndio: define as classes de fogo reconhecidas oficialmente no Brasil (A, B, C, D e K) e os critérios para dimensionamento de sistemas de extintores.

  • ABNT NBR 15808 e NBR 15809 — normas técnicas dos extintores portáteis e sobre rodas, respectivamente, incluindo requisitos de fabricação e certificação.

  • ABNT NBR 12962 — trata da inspeção periódica de extintores.

  • ABNT NBR 13485 — define os requisitos de manutenção e recarga de extintores.

  • Certificação Inmetro — obrigatória para extintores comercializados e utilizados no Brasil, exceto para equipamentos de bateria de lítio, que ainda estão em fase de avaliação técnica no país.

Aplicação prática

Na rotina de uma brigada de incêndio ou de uma equipe de bombeiro civil, o conhecimento das classes de incêndio se traduz em decisões rápidas: identificar o material em chamas antes de escolher o extintor, verificar se o equipamento está desenergizado antes de usar água, e saber que, diante de um veículo elétrico ou uma bateria de grande porte em chamas, a resposta correta pode envolver acionamento do Corpo de Bombeiros com equipamento e treinamento específicos, e não apenas o extintor mais próximo.

Um ponto de atenção prática recorrente em ambientes com extintores instalados ao ar livre (fábricas, estacionamentos, áreas externas de eventos) é a despressurização por defeito de fabricação — extintores lacrados, sem sinais de uso, mas com o manômetro fora da faixa ideal. Esse tipo de irregularidade deve ser identificado em vistorias periódicas e registrado formalmente, acionando a garantia do fabricante quando aplicável.

Erros comuns

  • Usar água em incêndio elétrico energizado, criando risco de choque para quem está combatendo o fogo.

  • Confiar cegamente em extintor de bateria de lítio como se fosse regulado por norma nacional, sem verificar as instruções técnicas do Corpo de Bombeiros local.

  • Não realizar inspeção periódica dos extintores, deixando de identificar despressurização, validade vencida ou lacre rompido.

  • Guardar extintores reservas sem verificação regular, presumindo que "estão novos" apenas porque nunca foram usados.

Checklist de verificação de extintores

  • O extintor é compatível com a classe de fogo do ambiente onde está instalado?

  • O manômetro está na faixa verde/ideal de pressão?

  • O lacre está intacto e a validade dentro do prazo?

  • A sinalização e o acesso ao extintor estão desobstruídos?

  • Existe registro de inspeção periódica conforme ABNT NBR 12962?

  • Em ambientes com veículos elétricos ou baterias de grande porte, existe protocolo específico definido junto ao Corpo de Bombeiros local?

Perguntas frequentes

Quantas classes de incêndio existem oficialmente no Brasil? Cinco, segundo a ABNT NBR 12693:2021: A, B, C, D e K.

A Classe L de incêndio (bateria de lítio) é oficial no Brasil? A nomenclatura é usada internacionalmente (ISO 3941) e o mercado já oferece extintores específicos, mas ainda não existe norma ABNT ou certificação Inmetro exclusiva para esse tipo de equipamento no país.

Posso usar extintor de CO₂ em qualquer tipo de incêndio? Não. O CO₂ é indicado principalmente para incêndios elétricos (Classe C) e alguns líquidos inflamáveis (Classe B), mas não é a melhor opção para materiais sólidos (Classe A) nem para incêndios de bateria de lítio.

Por que não se deve usar água em incêndio elétrico? Porque a água conduz eletricidade e pode causar choque em quem está próximo ou operando o extintor, além de não ser eficaz nesse tipo de fogo.

Com que frequência um extintor deve ser inspecionado? Conforme a ABNT NBR 12962, a inspeção deve ser periódica — em geral mensal para verificação visual básica, com manutenção mais aprofundada conforme os prazos definidos pela ABNT NBR 13485.

O que fazer ao encontrar um extintor despressurizado sem sinal de uso? Isso pode indicar defeito de fabricação. O procedimento correto é isolar o equipamento, registrar a irregularidade e acionar a garantia junto ao fornecedor.

Conclusão

Conhecer as classes de incêndio não é apenas teoria de curso de brigada: é o que determina, em segundos, se a resposta a um princípio de incêndio vai controlar a situação ou agravá-la. Com o crescimento de veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia, esse conhecimento precisa continuar evoluindo — e brigadas e equipes de segurança devem se manter atualizadas sobre as instruções técnicas do Corpo de Bombeiros da sua região para esse tipo específico de risco.

A Equipe Avanço oferece treinamento de brigada de incêndio e consultoria para dimensionamento de extintores conforme a ABNT NBR 12693. Solicite uma avaliação técnica para o seu ambiente.

Referências e fontes

  • ABNT NBR 12693:2021 — Sistemas de proteção por extintores de incêndio.

  • ISO 3941 — International Standard for Classification of Fires.

  • ABNT NBR 15808 e NBR 15809 — Extintores de incêndio portáteis e sobre rodas.

  • ABNT NBR 12962 — Inspeção, manutenção e recarga de extintores de incêndio.

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